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Logoterapia

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Logoterapia

Mensagem  Renato em Sab Jun 27, 2009 4:37 am

Olá pessoal,
Logoterapia é uma escola de Psicologia fundada pelo austríaco Viktor Frankl
http://pt.wikipedia.org/wiki/Viktor_Frankl

Frankl, que esteve num campo de concentração nazista narra sua experiência num livro chamado "Um psicólogo num campo de concentração", e, assim como o Nietzsche o fizera, Frankl construiu sua teoria a partir da sua própria problemática existencial. Ele disse que, por pior que seja a vida, é possível encontrar um sentido para ela.

Frankl nos diz como é possível criar um sentido para a vida dando vários exemplos de pacientes seus no livro "Em busca de sentido" (esse livro saiu com esse título na tradução brasileira).

Em "Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da Logoterapia e análise existencial", Frankl discorre sobre os limites da Psicanálise e fundamenta as bases epistemológicas da Logoterapia.

Aos interessados, este livro pode ser encontrado no Rei dos Livros, Rua dos Fanqueiros, 77-79, 1100 em Lisboa - Portugal, porque aqui no Brasil esse livro está esgotado.

o Título do tópico é Logoterapia. Mas a questão que se discute aqui é: é possível dar um sentido à vida mesmo nas conjunturas mais dolorosas e aparentemente irreversíveis? fica esse questionamento meu.

Abraços,

Renato

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Re: Logoterapia

Mensagem  eroife em Sab Jun 27, 2009 7:56 am

Todo ser humano, a menos que opte pelo suicidio, consciente ou inconscientemente dá um sentido à própria vida, em torno do qual a faz girar. Algumas vidas giram ao redor da Religião, outras, inclusive a minha, ao redor da Filosofia, outros são hedonistas, familiares, enfim, cada vida tem seu próprio eixo, que lhe dá um sentido. È interessante ler O Mundo como Vontade e Representação, de Schopenhauer, bem como as pesquisas das Neurociencias, sobre como percebemos o mundo e como essa percepção orienta nossas vidas.

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Re: Logoterapia

Mensagem  dire Z'one em Sab Jun 27, 2009 4:01 pm

Olá, a todos. Na minha opinião é possível dar um sentído à Vida até porque passamos grande parte da nossa vida a procura-lo. Um sentido absoluto para a Vida só se Deus descesse à Terra Razz mas como dúvido que tal acontença, não! Parece tão confusa a minha escrita quanto a Vida mas temos de perceber que a Vida como já disse Filipe Galvão, no outro forum, pode ser vivida sem sentido e concordo plenamente com ele. Uma pessoa pode ter tentencias suícidas mas ter um sentido para a Vida! Muitas vezes a própria pessoa não consegue ver tal sentido por "ter os horizontes diminiudos". Isso já é um problema psiquiatrico, em grande parte das vezes. Falando nisso o Schopenhauer não era apologista de que a Vida era basicamente um fiasco? Very Happy Acho que grande parte das pessoas, mesmo sem o saberem, são cepticas quanto ao sentido da Vida. Mas já agora deixo o que coloquei no meu trabalho de filosofia do 11º:


"Cada lágrima é um passo em diante. Sempre que derramamos uma lágrima avançamos um estágio. Após atravessarmos um rio de lágrimas, haverá outro rio e isso irá continuar a repetir-se. Mas é exactamente isso que nos fortalesse. Ao conseguirmos atravessar o rio conquistamos um novo objectivo. A busca pelo sentido da Vida e da Morte também é o mesmo. Superar a Morte talvez seja um mar ou até um oceano a atravessár mas na outra margem encontramos a resposta da _nossa_ existência. Nunca será a mesma. Só terá uma coisa em comum: dár-nos-á a maior força de todas "o sentido da vida", da nossa vida."

Abraços, Dire Idea

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Re: Logoterapia

Mensagem  Renato em Sab Jun 27, 2009 11:22 pm

eroife escreveu:Todo ser humano, a menos que opte pelo suicidio, consciente ou inconscientemente dá um sentido à própria vida, em torno do qual a faz girar. Algumas vidas giram ao redor da Religião, outras, inclusive a minha, ao redor da Filosofia, outros são hedonistas, familiares, enfim, cada vida tem seu próprio eixo, que lhe dá um sentido. È interessante ler O Mundo como Vontade e Representação, de Schopenhauer, bem como as pesquisas das Neurociencias, sobre como percebemos o mundo e como essa percepção orienta nossas vidas.

Olá eroife,
Obrigado pela sugestão de leitura. Lerei "O Mundo como Vontade e Representação".
Abraços,

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Re: Logoterapia

Mensagem  Renato em Sab Jun 27, 2009 11:28 pm

dire Z'one escreveu:Mas já agora deixo o que coloquei no meu trabalho de filosofia do 11º:


"Cada lágrima é um passo em diante. Sempre que derramamos uma lágrima avançamos um estágio. Após atravessarmos um rio de lágrimas, haverá outro rio e isso irá continuar a repetir-se. Mas é exactamente isso que nos fortalesse. Ao conseguirmos atravessar o rio conquistamos um novo objectivo. A busca pelo sentido da Vida e da Morte também é o mesmo. Superar a Morte talvez seja um mar ou até um oceano a atravessár mas na outra margem encontramos a resposta da _nossa_ existência. Nunca será a mesma. Só terá uma coisa em comum: dár-nos-á a maior força de todas "o sentido da vida", da nossa vida."

Abraços, Dire Idea

Olá dire,
Gostei desse "Ao conseguirmos atravessar o rio conquistamos um novo objectivo".
É exatamente isso: assim que superamos um objetivo, outro mais desafiador se nos apresenta. É como numa aula de Matemática ou Filosofia: assim que terminamos um capítulo do livro, outro surge mais desafiador com pensamentos e cálculos mais complexos.
E nem poderia ser de outro modo. Pois que, não será esse dinamismo da própria vida que lhe confere sentido?

Abraços,

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Re: Logoterapia

Mensagem  Filipe Galvão em Dom Jun 28, 2009 1:06 am

Quanto mais penso no sentido da vida mais confuso fico, uma coisa parece-me evidente, sorte é a dos tolos que se contentam com pouco ou com simples coisas materiais.

Acredito que a nossa própria biologia nos programe para traçar objectivos para a vida, daí que a maioria das pessoas viva para satisfazer necessidades primárias um pouco à semelhança dos macacos (sem qualquer tipo de depreciação por estes últimos).

dire Z'one escreveu: Muitas vezes a própria pessoa não consegue ver tal sentido por "ter os horizontes diminiudos". Isso já é um problema psiquiatrico, em grande parte das vezes.

Esta parte parece-me discutível, o ter os horizontes diminuídos a que te referes (desculpa a familiaridade
mas decidi que vou tratar toda a gente pela segunda pessoa do singular) parece-me que, e indo um pouco de encontro ao que escrevi anteriormente, se aplica à grande maioria das pessoas, no fundo qual é o grande projecto de vida das pessoas? Ter o maior número de recursos possíveis para poder sobreviver melhor, reproduzir-se e assegurar a sobrevivência dos filhos. Nada mais biológico.
Quando dizes que isso que isso já é um problema psiquiátrico, vejo-me mais uma vez obrigado a discordar de ti, não será a loucura uma forma de libertação que contraria o sentido biológico? Não fará a loucura (mesmo que em pequenas doses) parte de um antídoto para libertar as pessoas das amarras?

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Re: Logoterapia

Mensagem  dire Z'one em Dom Jun 28, 2009 1:38 am

Olá. Realmente a loucura podia ser o remédio que nos cura da realidade mas, ao em vez disso, só acaba por nos afastar da mesma. Isto é a minha opinião sincera. Quanto aos horizontes falo num sintoma psicologico em que a pessoa, ao não sentir que a sua própria vida não tem "caminho" a seguir, pensa no suicidio como escape. Por exemplo: uma pessoa melhora quase que automaticamente ao saber, por parte do médico psiquiatra, que vai receber medicação porque acha que vai melhorar e só isso ajuda bastante. Claro que esse estado é transitório e acaba por desaparecer. Digo que isto é em grande parte das vezes um problema para ser tratado pela psiquiatria porque normalmente as pessoas não arranjam ajuda de um psicologo ou de qualquer outro profissional da saúde de ante mão. Embora seja dificil para uma pessoa comum saber distinguir um dia mau de algo mais. Não é de todo bom dar nomes ao problema de uma pessoa pois isso pode fazer a mesma se auto-rotolar. Mas também é importante ela saber oquê está a ter e a sentir por isso é bom essa mesma pessoa receber acompanhamento de um psicolgo juntamente com o psiquiatra.

Já o disse e posso voltar a dize-lo: que quanto às coisas devemos separar-las. O reino de Deus lá e o do Homem aqui, como exemplo. A loucura acho que não passa da simples tentativa da psique humana de se afastar da realidade por isso todos possui-mos essa "capacidade". Não é de todo boa porque se estás no reino do Homem e ficas a viver no teu próprio mundo acabas por perder tudo, não sei como é o reino de Deus Sad . Claro que também é possível que o teu mundo, e queiras, consequentemente, viver nele por isso seja, melhor que o nosso. Mas grande parte das pessoas só conseguem viver transferindo coisas do mundo exterior para o interior. Grande parte destas coisas já senti na pele porque sou bipolar e também já sofri de despersonalização. Espero que compreendas oquê disse. Smile Mas naturalmente todos tem direito a ter a sua opinião e até o dever. E claro que podemos estar sempre em desacordo Exclamation Very Happy Já me ia esquessendo de dizer que podes me tratar por tu naturalmente embora seja melhor referires o meu "nome" para saber que é a mim que te referes.

Abraços, Dire Idea

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Re: Logoterapia

Mensagem  Renato em Dom Jun 28, 2009 2:10 am

A sociedade em geral, tem suas regras bem definidas. É como disse o Filipe, a maioria segue o sentido ditado pelas necessidades biológicas. Só que, no homem, essas necessidades se tornam simbólicas: ter automóveis novos, cargos importantes em empresas (às vezes ganha-se menos que um trabalhador braçal), e ter amigos. Aquela comunidade ridícula do orkut representa bem isso.Tudo isso confere status social. A solidão é vista na nossa sociedade como um sinal de fracasso. Os que sofrem de crises existenciais são tidos como fracassados e daí por diante. Mas essas alcunhas são forjadas pelos preconceitos sociais.
A "loucura", nesse sentido, vem contrariar sim o politicamente correto, as convenções sociais, as pessoas que estão estabilizadas de acordo com esse sentido biológico.
Vale lembrar que, a perda de sentido transcende classes sociais. Não raro, ela atinge pessoas poderosas. Pascal notou por exemplo que o rei é cercado pela côrte e todo o seu séquito de bajuladores com a finalidade de não sobrar a ele tempo de meditar em suas responsabilidades, nos perigos que cercam os seu reino e assim por diante.
A maioria das pessoas faz isso diariamente: logo que a pessoa fica só em seu quarto, pega o telemóvel e liga para alguém perguntando "fulano, vamos a tal lugar fazer alguma coisa?" Isso mostra que, a carência de sentido está presente na maioria das pessoas. O que sucede é que, algumas tem meios de fugir da confrontação desse problema - organizam-se festas, encontros, arruma-se namorado (a) para não ficar só. Enquanto que, os atormentados pela "loucura" - pessoas que têm insônia, de difícil convivência porque irritadiças - já não tem como fugir ao desafio. Normalmente as pessoas solitárias se deparam face a face com a busca de sentido, porque, quando se está só, se é obrigado a se encarar na frente do espelho, e é aí que se dá o processo de auto-conhecimento. E esse processo é doloroso, porque a pessoa vê, muitas vezes, os seus defeitos. Assim, se em uma época de "glória social" se via importante, excessivamente bela, inteligente, generosa, e etc, nos tempos de crise, "sozinha consigo mesma", passa a enxergar os seus defeitos: é bonita, mas existem outros mais bonitos; é inteligente, mas existem outras inteligências que a superam; vê que não é tão importante assim como julgava. Enxerga defeitos em si mesma como orgulho exacerbado, narcisismo, egolatria, mesquinhez, e não fácil para a pessoa enxergar isso num primeiro momento. Mas quando ela passa a se enxergar, começa então a se auto-conhecer.
Os que não atingiram essa crise freqüentemente dizem "eu sei quem sou, sei o que quero!". Sabe nada!! sabe quem é pelos outros e não por si mesma. São os outros - porque ela partilha das mesmas convenções que eles - que dizem: você é uma pessoa bonita, sincera, franca, inteligente, venceu na vida e assim por diante.
Ela sabe o que é e quem é pelos outros e não por ela mesma. Nâo que não seja relevante saber quem somos pelos outros. Muito pelo contrário, sabemos quem somos porque é mais fácil os outros que estão de fora nos enxergar do que nós mesmos.

Sucede que, quando não há esse outro - e o número de solitários é maior do que se imagina - nós mesmos somos convidados a fazer esse trabalho.

É nesse sentido que, para Viktor Frankl, o SOFRIMENTO e a DOR, não são desgraças e não traduzem um estado de infelicidade ou de desdita como a sociedade dos triunfadores gosta de crer. A felicidade é tida como "ausência de dor", e quando se surge algum tipo de inquietação é porque estamos doentes ou infelizes.

Viktor Frankl transcendeu epistemológicamente essa visão errônea e disse que a DOR é um processo normal da VIDA, ela é INERENTE ao próprio viver. Sabemos disso pelas religiões e pelos filósofos "aqueles que riem chorarão, e os que choram rirão". Mas hoje, a Logoterapia vem confirmar na sala de psicoterapia (e portanto empiricamente) essa verdade preconizada por santos e filósofos de todos os tempos.

A DOR é um processo bio-psíquico inerente à condição humana, e ela deve ser vista como fator importante para o desenvolvimento do psiquismo, no sentido intelecto-moral - aumento da sensibildade, depuração dos sentimentos, gosto pelas artes, filosofia, música e pela ciência.

Foi pela dor que Nietzsche erigiu sua maravilhosa obra. Ele não teve "referencial teórico". O que ele escreveu foi a partir da sua própria renovação através da DOR, o que equivale a dizer, que tirou sua obra de seu ser interior. O mesmo aconteceu com Frankl e com todos os profetas e santos de todos os tempos.

Nesse sentido, quando chega um momento - e para uma chega numa hora específica - em que nossas vidas carecem de sentido, normalmente a DOR está presente. É ela que impulsiona o ser a buscar o sentido. Todavia, os atavismos biológicos e sociais, sempre nos dizem que encontrar o sentido da vida é voltar a ser importante, a ser bajulado, a ter 900 amigos no orkut, e aí a DOR aparece com o seu aguilhão e nos diz que não é por aí. O sentido que buscamos para a vida está dentro de nós mesmos. Segundo Viktor Frankl, temos que encarar a DOR como um processo benéfico para o nosso crescimento. Normalmente ela desabrocha nas pessoas que estão demasiadamente voltadas para as coisas exteriores a si mesmo. Se se encara a DOR dessa maneira, é mais fácil construir um sentido para a vida. Pois qual o sentido da vida para uma pessoa que perdeu todos os seus entes mais caros e agora se torna só?? É um convite ao auto-conhecimento.

A DOR não é portanto uma anomalia e nem ausência de felicidade. Ela é um processo normal que existe em toda a Natureza. Como somos seres éticos, é normal que a DOR tenha configurações éticas e morais, e aí ela se torna mais "dolorosa", digamos, do que a de um animal que vê sua prole sendo atacada.

Já me delonguei demais nesse post. Mas a busca de sentido para a vida surge sempre no momento da DOR, porque, em dada conjuntura, quando tudo parece ter perdido o sentido, Franlk nos diz que ainda assim há um sentido para a vida: a busca da auto-consciência. Os que fizeram ou proporam essa busca foram mortos - Sócrates, Jesus - ou ridicularizados, Nietzsche e o próprio Frankl. Assim, todos aqueles que estão "em busca de sentido" não escaparão a essa regra, porque, segundo reza o antigo ditado, "o discípulo não pode ser maior que o mestre.

Abraços,

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Re: Logoterapia

Mensagem  Renato em Dom Jun 28, 2009 2:21 am

dire Z'one escreveu:A loucura acho que não passa da simples tentativa da psique humana de se afastar da realidade por isso todos possui-mos essa "capacidade". Não é de todo boa porque se estás no reino do Homem e ficas a viver no teu próprio mundo acabas por perder tudo, não sei como é o reino de Deus Sad . Claro que também é possível que o teu mundo, e queiras, consequentemente, viver nele por isso seja, melhor que o nosso. Mas grande parte das pessoas só conseguem viver transferindo coisas do mundo exterior para o interior. Grande parte destas coisas já senti na pele porque sou bipolar e também já sofri de despersonalização. Espero que compreendas oquê disse. Smile Mas naturalmente todos tem direito a ter a sua opinião e até o dever. E claro que podemos estar sempre em desacordo Exclamation Very Happy Já me ia esquessendo de dizer que podes me tratar por tu naturalmente embora seja melhor referires o meu "nome" para saber que é a mim que te referes.

Abraços, Dire Idea

E o que é a realidade?
"Viver no teu próprio mundo" é uma necessidade pela qual muitos são compelidos pela DOR, e não porque querem!!

"Mas grande parte das pessoas só conseguem viver transferindo coisas do mundo exterior para o interior."
Sim, e é por isso que não se auto-conhecem. Para estas pessoas, realmente não há, num primeiro momento uma necessidade de se encontrar "um sentido para a vida".

É só os "loucos" que têm essa necessidade.

E enfim, o que é a loucura?? o próprio conceito de "psicopata" está sendo modificado na Psiquiatria. Um psicopata é uma pessoa sem sentimentos que abusa da confiança de outrem, que não respeita, que trai, e não necessariamente que são criminosos que matam e torturam sem um mínimo de sensibilidade.

Ler a esse respeito "Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado", Ana Beatriz Barbosa Silva.

Abraços,

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Re: Logoterapia

Mensagem  dire Z'one em Dom Jun 28, 2009 2:36 am

Olá. Concordo com o que disseste, Renato, e falando em psicopatas 1 em cada 50 pessoas são( LOL). Ou seja 2% da população. Mas isto não significa o Armagedão! Um psicopata é basicamente alguém que não tem sentimento de culpa e tão só. Quando falam que fulano X ou Y tem tal percentagem de psicopatia isso não significa que seja uma pessoa má. Alias os psicopatas muitas vezes sofrem por não sentir esse sentimento de culpa. Digamos que se desenquadram da sociedade.

Abraços, Dire Idea

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Re: Logoterapia

Mensagem  Renato em Dom Jun 28, 2009 2:49 am

Você disse tudo: psicopata é aquele que não tem consciência de culpa.
Só que, um dia, cedo ou tarde algum sentimento de culpa pode desabrochar nele. E o que acontecerá: sua vida estará sem sentido, porque só aprendeu a conquistar coisas e pessoas valendo-se de seus dotes - inteligência, beleza, sagacidade, vivacidade, riqueza etc.
Nunca retirou nada de dentro de si mesmo, só viveu de aparências.
Eu diria que o psicopata de hoje é aquele que se envergonhará de si mesmo amanhã, e para ele, o sentido para a vida surgirá como uma necessidade impostergável e dolorosa.

Abraços,

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Re: Logoterapia

Mensagem  Lucas Benetti em Dom Jun 28, 2009 2:59 am

"é possível dar um sentido à vida mesmo nas conjunturas mais dolorosas e aparentemente irreversíveis?"

Renato, acredito ser possivel. Normalmente situações dolorosas são evitadas pela maioria dos seres humanos, e se isto for um regra, seria certo dizer aquele em que vive constantemente em situações dolorosas, prefere a morte do que se sujeitar a viver nesta situação. A um tempo atras, fiquei sabendo da história de um pai que cometeu o suicídio(aqui na região de Campinas-SP), e perguntando sobre o acontecimento, foi dito que ele provavelmente se matará pois em vida ele teria matado uma pessoa, e consequentemente não conseguir mais viver com este peso na consciência. Preferiu a morte do que estar sujeito a uma situação de extrema dor interna(cabe ressaltar que isto foi reflexo do ato que cometeu).
Não generalizo a situação, já que escravos, ou até um judeus nos campos de concentração, preferiram viver em situações dolorosas, do que apelar para o suicídio.E, acreditando que o sentido da vida, para muitas pessoas, é a base do seu viver, acredito também que estes mantinham um sentido de vida, ou até os renovasse/criasse, já que mantiveram a chama interna da vida acesa.

L.

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Re: Logoterapia

Mensagem  Lucas Benetti em Dom Jun 28, 2009 3:01 am

Nossa, várias resposta novas, acho que demorei para escrever, huaehueahuea.. é a falta de hábito talvez : )
Abraços,
L.

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Re: Logoterapia

Mensagem  dire Z'one em Dom Jun 28, 2009 3:10 am

Olá, denovo, a todos. Lucas, acho que as pessoas que estão sujeitas a coisas como campos de concentração vivem num estado de sobrevivencia. Eles ainda tinham a companhia humana consigo. Não é o mesmo que eu estar numa festa sozinho, isso é solidão! Uma pessoa pode estar rodeada de outras mas se não se sentir "sincronizada" com as mesmas está só. A pessoa muitas vezes até pode falar com outras mas tem de haver sincronia entre elas. Há casos em que as próprias pessoas procuram se "desfazer" das outras. Ou por estarem numa fase mais rebelde da adolessencia ou simplesmente por procurarem algo que não sabem exactamente oquê é, essa pessoas estão sobre o jugo o "senso de Morte" em que o ego tenta mudar procurando de "refazer" e isso leva, invariavelmente, à auto-destruição.

Abraços, Dire Idea

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Re: Logoterapia

Mensagem  eroife em Dom Jun 28, 2009 5:28 am

Vou misturar algumas áreas de conhecimento para falar algo que é fundamental na Filosofia e na Psicologia, mas que muitas pessoas não sabem ou às vezes se esquecem: nenhum ser vivo, inclusive nós, seres humanos, conhece o mundo como ele é, mas temos em nosso cérebro uma Representação do mesmo (Schopenhauer, "O Mundo como Vontade e Representação").
Para quem tem duvidas sobre isso, pense no seguinte: quando olhamos para uma paisagem campestre, abarcamos com nosso olhar uma vasta extensão de terra, céu, árvores, animais, etc. Tudo isso "entra" pelos nossos olhos, formando uma imagem de alguns milímetros, localizada no fundo do nossos olhos, superpondo-se, e mais, de cabeça para baixo. Essas duas minúsculas imagens, condensando tudo aquilo que vimos, irá gerar impulsos elétricos, que irá excitar nosso centro cerebral da visão, criando uma representação da imagem original. (Neurociências)
Até que ponto podemos garantir a fidelidade dessa imagem? Não sabemos ! Bem espero tê-los convencido dessa verdade filosófica: não conhecemos o mundo, temos dele apenas uma representação !
Vejam que estou falando de coisas objetivas, palpáveis, árvores, animais, pessoas. E o que dizer das coisas subjetivas, sentimentos, emoções?
Bem, tudo isso leva ao seguinte: cada ser humano vive em seu próprio mundo interior, individual, criado por ele próprio, anexando àquelas representações, sua ideologia, sua cultura, suas experiências de vida, suas idiossincracias. (filosofia minha mesmo)
Quando se fala em "loucura", distinguimos três níveis:
1 - neuroses: são aqueles comportamentos estranhos, que todos nós temos de vez em quando, de forma consciente, que não causam prejuízos a ninguém. Como por exemplo, entrar em casa cm o pé direito, não passar debaixo de escadas, xingar quando algo cai no chão, se benzer ou dar graças a deus por qualquer coisa, etc. Fazemos isso, mesmo sabendo de seus significados vazios, mas "por via das dúvidas". É o famoso dito espanhol "no creo en brujas, pero que los hay, hay". Todos nós, à nosso modo, somos neuróticos, em maior ou menor nível.
2 - esquizofrenia: o esquizofrenico enxerga coisas e ouve sons que não existem, são gerados dentro de seu próprio cérebro. Isso para ele é real. Bem, levando em consideração que não enxergamos o mundo como ele é, temos apenas uma representação, qual a diferença entre o "normal" e o "esquizofrenico"?
3- psicótico: esse sim é o perigo. São aqueles que, conscientemente, prejudicam os outros. São estupradores, sequestradores, terroristas, serial killers, pedófilos, etc.
Bem, como essas coisas não são absolutas, isto é, entre uma categoria e outra há infinitas gradações, tornando muito dificil estabelecer fronteiras entre elas, fica a questão: onde termina a "normalidade" e onde começa a "loucura"?
Em outra ocasião falarei sobre o Real e o Virtual. É outro assunto que gosto e acho interessante.

eroife
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Re: Logoterapia

Mensagem  dire Z'one em Dom Jun 28, 2009 3:49 pm

Boas, a todos. Devo dizer te, eroife, que um psicotico é alguém que tem coisas como mania da perseguição e não me parece que tenha qualquer relação com oquê disseste. Quanto ao real tenho algumas coisas a dizer! Os seres vivos tem tendencia a desenvolver orgãos sensoriais de tudo oquê existe, como por exemplo a luz. Não é como se a nossa representação do mundo fosse erronia mas admito que não seja a mais correcta isso não significa que nem sequer sirva. Quanto à visão que as pessoas tem do mundo é verdade que também está sobre o jugo do seu interior mas o seu interior foi formado pela ajuda do exterior. Tem que ver com a experiencia dos personagens e também algo com coisas inatas. Por exemplo o meu mundo interior é algo como uma grande tempestade de chuva que nunca para, oque é bastante simpatico para mim.

Abraços, Dire Idea

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Re: Logoterapia

Mensagem  Filipe Galvão em Dom Jun 28, 2009 6:20 pm

eroife escreveu:
2 - esquizofrenia: o esquizofrenico enxerga coisas e ouve sons que não existem, são gerados dentro de seu próprio cérebro. Isso para ele é real. Bem, levando em consideração que não enxergamos o mundo como ele é, temos apenas uma representação, qual a diferença entre o "normal" e o "esquizofrenico"?

Exactamente.

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Re: Logoterapia

Mensagem  Renato em Ter Jun 30, 2009 3:41 am

Frankl cita exemplos, em seu livro Psicoterapia e Sentido da Vida, como que a vida perde o sentido mesmo no cotidiano.
Neurose do dia de Domingo
A neurose do dia de Domingo ataca a todos sem exceção. Ela é derivada em conseqüência de o Domingo ser um dia em que as pessoas suspendem as atividades semanais que lhe conferem sentido à vida. O indivíduo passou a semana inteira trabalhando, fazendo projetos, frequëntando cursos, levando o filho à escola, e quando chega o Domingo, sente um vazio imenso. Epistemologicamente falando, Frankl irá argumentar que faz parte da essência do homem estar a todo tempo construindo, melhorando, trabalhando e é por isso que o Domingo é um dia insuportável sobretudo aos solitários e aos desempregados. Frankl sugere que, nos dias de Domingo deve-se procurar formas alternativas e engrandecedoras de se preencher o tempo: um passeio com a família no zoológico, uma visita a parentes queridos ou uma estadia no clube de esportes. Mas não é o que se faz: o Domingo é, biblicamente consagrado ao descanso, pois "Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no sétimo", no Domingo Very Happy. Na verdade o dia de Domingo deveria ser um dia como qualquer outro, e se ele é tido convencionalmente como um dia de descanso, é por que foi IMPOSTO pela tradição, e não por escolha do indivíduo. E assim, o indivíduo sofre, porque acata um parecer que não é da sua escolha. Sempre que o indivíduo acata valores de outrem, que não os seus, há esse tipo de neurose.


A banda de rock brasileira, Titãs, cantando "Domingo", no "Programa do Gugu", num Domingo Very Happy




Neurose de desemprego
Na neurose de desemprego o indivíduo se sente inútil por estar desempregado, não só pela falta de dinheiro, mas o que tortura o indivíduo é precisamente a sua sensação de não ser útil, de se sentir atirado à margem da sociedade. Frankl explica que essa neurose advém dos valores capitalistas impostos, porque o capitalismo só considera trabalho, a atividade remunerada. E Frankl argumenta que trabalho não é somente atividade remunerada, mas qualquer tipo de atividade em que o indivíduo se sinta realizado. Assim, o desempregado pode carpir o seu quintal, fazer faxina na sua casa, se oferecer como voluntário de instituições de benemerência social, e dessa forma, sentindo-se útil, suplanta ou minimiza a neurose de desemprego.

Esses exemplos são só para mostrar como o "sentido da vida" ou a "perda de sentido" está presente no nosso dia-a-dia e não necessariamente que só os "desgraçados" física e moralmente necessitem encontrar um sentido para a vida.

O sentido para a vida, pois, é o trabalho (nessa perspectiva da perda de sentido no dia-a-dia), mas não o trabalho remunerado. Por trabalho aqui, deve-se entender qualquer coisa de útil que o indivíduo faça em seu próprio benefício ou em prol de outrem.

Até o próximo Domingo Twisted Evil

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Re: Logoterapia

Mensagem  Peregrino em Sex Dez 11, 2009 11:40 pm

Eu acredito que a própria vida ao nosso redor nos dá dicas de qual é o sentido dela. É muito interessante e fácil de entender isso quando vemos alguns documentários sobre as maravinhas do ecossistema na terra e como ela funciona.

Tome como por exemplo as frutas. Bem se a natureza é que 'aleatoriamente' foi desenvolvendo as espécies vegetais, para garantir assim a sobrevivência das plantas que a produzem e a de outras que se alimentam dela, vemos aí que entra apenas um instinto de preservação. Então para que serviria os inúmeros sabores, alguns deliciosos, e cores, algumas lindas e deslumbrantes? Para que por exemplo a variedade? Só de maça existem cerca de 7500 variedades. Só de maçã!

Independente da origem das espécies, se do processo evolutivo ou criativo, pesquisar a fundo a natureza e os seres vivos inegavelmente mostra que a vida existe para ser usufruída. Senão o macaco não evoluiria para o humano, ou então o humano não seria criado por Deus, se fosse para simplesmente seguir uma sequencia programada de vida.

Uma noite de descanso depois de um longo dia detrabalho, um banho relaxante após um dia corrido, uma deliciosa refeição quando você está 'morrendo' de fome, uma gargalhada depois de uma história engraçada, um papo interessante com os amigos, uma amizade de longa data, uma paixão platônica, o prazer sexual, o apoio de um amigo numa hora difícil, uma praia paradisíaca, uma linda cachoeira, uma montanha magestosa, e por aí vai a lista.

Como disse Charles Chaplin:"BOM MESMO É IR À LUTA COM DETERMINÇÃO, ABRAÇAR A VIDA E VIVER COM PAIXÃO, PERDER COM CLASSE E VIVER COM OUSADIA. POIS O TRIUNFO PERTENCE A QUEM SE ATREVE, E A VIDA É MUITO BELA PARA SER INSIGNIFICANTE."

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Re: Logoterapia

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