Últimos assuntos
» Existe livre-arbítrio?
Ter Maio 27, 2014 9:28 am por Renato

» Forum Canal de HIstoria
Dom Fev 26, 2012 4:19 pm por Valisum

» Mudança nas atitudes dos encarregados de educação
Dom Nov 13, 2011 9:10 am por Renato

» Que é Deus? Ele existe? Como?
Sab Nov 12, 2011 7:33 am por Renato

» Darwin e a teoria da evolução
Seg Ago 15, 2011 8:06 pm por Varela

» Fórum Máscaras de Deus - Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático
Seg Maio 23, 2011 3:59 am por Renato

» Alpha Centauri - Filosofia Oriental e Espiritualismo
Qui Abr 21, 2011 7:25 am por Renato

» Videos imperdiveis...
Sex Mar 11, 2011 1:06 pm por Renato

» Cartoons Engraçados
Dom Jan 30, 2011 9:18 pm por Renato

Partido Pelos Animais

O que é a liberdade?

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Qui Jun 03, 2010 1:21 am

Filosofia: a liberdade

http://www.youtube.com/watch?v=PsOSN0GMQpU&feature=player_embedded

Assistam o vídeo, comentem/critiquem

Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Lucas Benetti em Qua Jan 26, 2011 5:07 pm

Desacreditando em mudanças dentro das gaiolos, os passarinhos continuarão a ser os mesmos, e serão comida de gato, mesmo enfrentando o mundo dos gatos.
Pode-se dizer que o medo é um meio para mostrar ao passarinho os cuidados de quem dá comida. E a verdadeira liberdade - ainda que só o começo dela - está ai, dentro da gaiola, já que ele tem todo o poder interior, sem se confrontar com os problemas interiores, e ainda recebendo a comida, que dará combustão a sua continuidade mental.
Se há algum lugar para haver a libertação, no meu ponto de vista, é preferivel que seja primeiro o interno ao externo.
Ainda que sem conhecer o mundo como é, o passarinho já consegue ver seu primeiro problema: a privacidade instaurada do mundo exterior. Sabendo que o uso do passinho, e dos gatos, na história apresentada, não passam de uma matáfora, pode-se dizer que para todo aprendizado tem um início, então porquê não começar na investigação interior, para haver o auto-conhecimento, antes de ir ao mundão dos gatos sem saber quem realmente é?
Abraços,
Lucas

Lucas Benetti
Participante
Participante

Mensagens : 41
Data de inscrição : 28/06/2009

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Qui Jan 27, 2011 2:31 am

Olá Lucas,

Eu gostei particularmente do final do vídeo, em que ele diz mais ou menos assim: "Vá dar aulas de Filosofia; vá para a Academia receber a sua comidinha, mas você que é covarde, não tem direito de vir perturbar a Filosofia". Very Happy

Na verdade eu já assisti esse vídeo muitas vezes.

Entendi o seu ponto de vista Lucas, mas procure entender que a metáfora do passarinho na gaiola, representa o ser humano vivendo de maneira condicionada, estritamente de acordo com as regras e preconceitos sociais, e por isso mesmo, torna-se alienado, desconhecedor de si mesmo.

É uma crítica tipicamente nietzscheana, essa que encontramos no vídeo. Sair da gaiola representa justamente ser você mesmo sem se preocupar com o que a sociedade vai pensar.

E é interessante notar que, particularmente os jovens e principalmente os adolescentes, levantam essa bandeira: "sou eu mesmo". Mas veja que no caso do adolescente o que ele está fazendo é se rebelar contra a ditadura dos pais, contra os valores pré-estabelecidos que seus pais querem lhes impor. De certa forma, os adolescentes são uma espécie de passarinho tentando fugir da gaiola. Mas por outro lado, não deixa de ser uma pseudo libertação, pois que, precisam dos pais na hora de receber dinheiro, de pagar a mensalidade da escola, e também na hora de ir ao médico, ao dentista, em uma palavra: é uma pseudo rebelião, porque estão sob o domínio dos pais.

Mais patético será os adultos dizerem - e nós comumente ouvimos isso - que são originais, que são "eles mesmos", mas no fundo, sempre encontramos grupos seguindo este ou aquele padrão estabelecido pela sociedade.

Houve tentativas bem sucedidas, como os hippies que se recusaram a viver nos padrões estabelecidos pelo cultura de massas, criticando a ciência e o modo de exploração capitalista.

Todavia, a questão da Liberdade colocada pelo Paulo Girardelli Jr. é a questão nietzscheana, que remete a alguns ensinamentos de mestres e avatares da humanidade como Jesus, Krishna e Gautama, o Buda. Todos esses indivíduos viveram uma vida solitária, se recusando a aceitar os condicionamentos e preconceitos sociais, e por isso mesmo foram incompreendidos e alguns deles, mortos, como é o caso de Sócrates e Jesus.

Aparentemente pensamos de maneira individual, mas basta olhar para a rotina do dia-a-dia e perceber que nós só notamos e percebemos aquilo que é do nosso interesse, mas estabelecido pela sociedade, ou seja, o que é interessante para nós, é aquilo que a sociedade considera interessante.

Quando Colombo estava chegando à América, os índios não podiam enxergar as caravelas ao longe, em alto mar, porque estavam condicionados com a sua realidade da sua aldeia. Só enxergavam aquilo que fazia parte do seu universo cultural. Entretanto, o xamã ou chefe da tribo - que normalmente é um indivíduo que paira acima das convencionalidades da tribo - começou a ver perturbações nas ondas do mar, e então viu ao longe os navios, e os mostrou aos índios. Veja entretanto, que ainda assim, os índios só viram as embarcações porque acreditavam na palavra do xamã Shocked , ou seja, não "viram por si mesmos".

E a Liberdade é isso: ver por si mesmo; acreditar por si mesmo; percepcionar por si mesmo; aprender por si mesmo e crescer por si mesmo.

Mas, qual é o grande problema da Liberdade ou da falta de Liberdade?? É que, normalmente, a grande maioria das pessoas está em busca de alguém que lhe aponte o caminho, de alguém que lhe mostre o desconhecido, a embarcação em alto mar. A maioria está em busca de alguém que lhe diga o que é a verdade; está em busca de alguém que lhe ensine, e principalmente está em busca de PROTEÇÃO.

É por isso que as religiões e as instituições sociais obtiveram grande poder sobre as massas historicamente.

A mensagem de Jesus, de Buda, de Sócrates, Nietzsche e também do Krishnamurti - para falar de alguns mestres mais recentes - é essa: libertar-se dessa pseudo-proteção que não protege ninguém, porque, a partir do momento que nós delegamos a outrem o poder de dar a comidinha para nós, o poder de prescrever normas éticas de comportamento com ameaças e recompensas celestes, nós estamos RENUNCIANDO à nossa liberdade.

Mas eu entendi e apreciei o seu ponto de vista, a sua análise do vídeo, que também é válida: poderão nos prender por fora, nos cercear fisicamente, e ainda assim, poderemos ter liberdade interior.

Obrigado pela participação,




Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Qui Jan 27, 2011 2:37 am

Olá,


Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Lucas Benetti em Qui Jan 27, 2011 5:22 am

Renato,
há um temepo atrás estava a fazer uma meditação tântrica, e o meu caminho de transceder não foi bem sucedido: pertubações e interferências da qual não estava preparado a enfrentar, e talvez nem tivesse as instruções corretas de como progredir a partir daí. Quase enlouqueci. A busca da religião para mim foi a melhor escolha, uma vez que estava com problemas muito atém deste das aparencias normais.
Bom, até aceito a sua opinião de que a religião assumiu poder sobre massas, porém entendo, e até acredito que você não queira generalizar.
O ponto do qual estou buscando a nossa reflexão é sobre a proteção.
Ontem estava conversando com um monge budista, e ele estava fazendo uma analogia do ser humano com uma antena, abrangendo recepção de energias/sinais, e também envia-las.
É aí que entra a proteção, que poderia fazer a minha meditação ter sucesso, e me livrar de várias pertubações.
Ou seja, a busca religiosa pode te mostrar o caminho da proteção, mas não te dar de mão beijada, porque é necessária a sincera intenção do praticante nessa proteção, entre outras coisas.
Nesse sentido acabo vendo a proteção como uma coisa boa, e isto justifica aquele ponto de vista da gaiola.
A liberdade pode ensinar muito, e o risco pode ser muito grande à aquele que não está preparado.
E a gaiola te dá condições necessárias para florescer essa preparação, concorda?

Considero este tema bastante interessante, gostaria de continua-lo levando para outros lados, se você não se importar!Smile
[]`s,
L.

Lucas Benetti
Participante
Participante

Mensagens : 41
Data de inscrição : 28/06/2009

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Qui Jan 27, 2011 6:22 pm


Lucas Benetti escreveu:Renato,
há um temepo atrás estava a fazer uma meditação tântrica, e o meu caminho de transceder não foi bem sucedido: pertubações e interferências da qual não estava preparado a enfrentar, e talvez nem tivesse as instruções corretas de como progredir a partir daí. Quase enlouqueci.

Olá Lucas,

Existem centenas de técnicas sobre meditação, incluindo maneiras de respirar, de sentar. Uns dizem que o correto é ficar com os olhos fechados, mas outros asseveram que o certo é manter os olhos abertos a fim de se evitar a formação de imagens. Outros tantos dizem que "meditação é concentração e atenção", etc.

Eu diria que todas essas técnicas vão gerar condicionamentos, ou seja, vão terminar em rituais mecânicos, de repetições de posturas, mantras, gestos etc.

A meditação consiste apenas em observar os pensamentos sem se envolver emocionalmente com eles, isto é, sem criar julgamentos, sentimentos e sem conferir valores a eles. Desse modo, não é preciso sentar para fazer meditação, você pode fazer meditação caminhando, andando, em pé, em qualquer hora e lugar. O importante é não vivenciar os pensamentos. Por exemplo: "ah, fulano me prejudicou e agora a minha vida está ruim". Esse é apenas o pensamento chamado "fulano me prejudicou e agora minha vida está ruim". Temos que apenas observar os pensamentos, sem atribuir importância a eles, ou seja, vivenciá-los.(Quem me ensinou isso foi um amigo, mas o Krishnamurti também ensina isso, já já vou postar alguma coisa dele sobre o assunto).


Lucas Benetti escreveu:
A busca da religião para mim foi a melhor escolha, uma vez que estava com problemas muito atém deste das aparencias normais.
Bom, até aceito a sua opinião de que a religião assumiu poder sobre massas, porém entendo, e até acredito que você não queira generalizar.

A minha crítica é sobre religiões institucionalizadas e dualistas. A princípio, todas as religiões são dualistas, ou seja, elas preconizam que Deus está lá, e nós estamos aqui; Deus é um ser inatingível, perfeito, bom e supremo e nós somos pecadores, imperfeitos, frágeis, maus e mesquinhos. Todas as religiões são dualistas: catolicismo, budismo, protestantismo e até mesmo o espiritismo, cujos adeptos se consideram pertencentes a uma espécie de "filosofia científica e religiosa" que paira acima das demais. Talvez, a única exceção seja o hinduísmo, porque acredita que Deus é tudo o que existe, que tudo são manifestações de Deus.

Mas a religião como forma de aperfeiçoamento pessoal - ou espiritual - eu considero importante.


Lucas Benetti escreveu:
O ponto do qual estou buscando a nossa reflexão é sobre a proteção.
Ontem estava conversando com um monge budista, e ele estava fazendo uma analogia do ser humano com uma antena, abrangendo recepção de energias/sinais, e também envia-las.
É aí que entra a proteção, que poderia fazer a minha meditação ter sucesso, e me livrar de várias pertubações.

Pois é... você estava querendo discutir proteção e acabou indo atrás dela, ao procurar o monge budista.

Lucas, não será conhecendo e praticando essa ou aquela técnica de meditação que fará nós termos sucesso e findar as perturbações.

Há um conto Zen que diz o seguinte: "Um discípulo procurou o seu mestre e começou a reclamar: "não consigo me concentrar, sinto dores quando estou sentando meditando, minha atenção está ruim, tudo está uma droga", e o mestre disse: "isto vai passar". Passado algumas semanas, o rapaz procurou o mestre e lhe disse: "agora tudo está bem: estou bem concentrado, sem ansiedades, consigo manter a minha atenção, é tudo muito maravilhoso", e o mestre: "isto também vai passar" Very Happy

Quer dizer, vivemos no mundo da impermanência e das vicissitudes. O que são vicissitudes?? São os altos e baixos da existência: hoje está tudo bem, e amanhã está tudo mal; hoje estou com saúde, e amanhã estou doente; hoje sou jovem, e amanhã estarei velho e assim por diante.

O que o Zen prega - e que é o que Buda ensinou - é viver e aceitar a vida como ela é. O problema da mente humana é que ela cria situações de prazer e felicidades duradouras que não existem, que não são possíveis de serem criadas e mantidas indefinidademente.

Aceitar a vida como ela é, é ter a mesmo estado de impassibilidade e indiferença tanto na dor quanto na alegria, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença - isto até lembra o padre falando aos noivos no altar Very Happy Very Happy Very Happy


Lucas Benetti escreveu:
Ou seja, a busca religiosa pode te mostrar o caminho da proteção, mas não te dar de mão beijada, porque é necessária a sincera intenção do praticante nessa proteção, entre outras coisas.
Nesse sentido acabo vendo a proteção como uma coisa boa, e isto justifica aquele ponto de vista da gaiola.
A liberdade pode ensinar muito, e o risco pode ser muito grande à aquele que não está preparado.

Me permita discordar. Temos que nos livrar da PROTEÇÃO, mesmo porque ela não protege ninguém, e se protege, cobra algo em troca que é a negação da liberdade.

O que justifica o ponto de vista da gaiola, é a comodidade que todos temos em não assumir o nosso próprio destino, em ficar esperando que outro nos diga o que e como devemos fazer; quando e onde buscar ajuda e que tipo de ajuda e assim por diante.


Lucas Benetti escreveu:
E a gaiola te dá condições necessárias para florescer essa preparação, concorda?

Me desculpe, mas não concordo. A gaiola representa, por exemplo, você aceitar um emprego público (cabide de emprego) de um amigo ou parente seu que é influente na política; em aceitar que o seu pai lhe pague um curso disso ou daquilo porque ELE - e não você - deseja que você seja fulano ou sicrano; em aceitar que a mulher que você ama ou diz amar lhe diga como você deve ser e agir com ela. Tudo isso são formas de proteção, em que delegamos a outrem o poder de decidir por nós.


Lucas Benetti escreveu:
Considero este tema bastante interessante, gostaria de continua-lo levando para outros lados, se você não se importar!Smile
[]`s,
L.

Para mim é um prazer debater esse assunto e digo mesmo que ele tem muito a nos ensinar na prática.


Até mais,




Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Qui Jan 27, 2011 6:33 pm

Olá!

Jiddu Krishnamurti

"Nunca as agonias da repressão, nem a brutalidade da disciplina de ajustamento a um padrão conduziram à verdade. Para encontrar-se com a verdade, a mente deve estar completamente livre e sem a mínima deformação.

Mas, primeiramente, perguntemo-nos se desejamos realmente ser livres. Quando falamos de liberdade, estamo-nos referindo à liberdade completa ou à libertação de uma certa coisa inconveniente, desagradável ou indesejável? Gostaríamos de ficar livres de lembranças dolorosas e desagradáveis e de nossas experiências infelizes, conservando, porém, nossas aprazíveis e satisfatórias ideologias, fórmulas e relações. Mas, conservar uma coisa sem a outra é impossível, porque, como já vimos, o prazer é inseparável da dor.

Cabe, pois, a cada um de nós decidir se desejamos ou não ser completamente livres. Se dizemos que o desejamos, temos então de compreender a natureza e a estrutura da liberdade.

É liberdade estar-se livre de alguma coisa — livre de uma dor, de uma espécie de ansiedade? Ou a liberdade, em si, é coisa inteiramente diferente? Podeis estar livre do ciúme, por exemplo, mas não é essa liberdade uma reação e, por conseguinte, liberdade nenhuma? Podeis libertar-vos muito facilmente de um dogma, analisando-o, rejeitando-o, mas o motivo dessa libertação tem sua reação própria, porquanto o desejo de nos livrarmos de um dogma pode dever-se a ter ele caído de moda, já não sendo conveniente. Ou podeis ficar livre do nacionalismo por crerdes no internacionalismo, ou porque sentis que, economicamente, já não é necessário estar-se apegado a esse estúpido dogma nacionalista, com sua bandeira e demais futilidades. Podeis facilmente rejeitá-lo. Ou podeis reagir a um certo líder espiritual ou político que vos prometeu a libertação como resultado de disciplina e de revolta. Mas, terá uma racionalização, uma conclusão dessa espécie, alguma coisa em comum com a liberdade?

Se dizeis que estais livre de uma certa coisa, trata-se de uma reação, que depois se tornará outra reação que produzirá uma outra maneira de ajustamento, uma outra forma de domínio. Dessa maneira, podeis ter uma cadeia de reações e aceitar cada reação como uma libertação. Mas isso não é libertação, porém, apenas, a continuidade modificada de um passado a que a mente está apegada.

A juventude de hoje, como a juventude de sempre, está em revolta contra a sociedade, e isso, em si, é uma coisa boa, mas revolta não é libertação, porquanto o revoltar-se constitui uma reação, reação que estabelece o seu peculiar padrão, no qual ficais enredado. Pensais que se trata de uma coisa nova. Mas não é; é o velho, posto num diferente molde. Qualquer espécie de revolta social ou política reverterá inevitavelmente à boa e velha mentalidade burguesa.

A liberdade só existe quando vedes e agis, e nunca mediante a revolta. Ver é agir, e essa ação é tão importante como a ação que se modifica ao verdes um perigo. Não há então atividade mental, não há discussão nem hesitação; o próprio perigo compele ao ato e, por conseguinte, ver é agir e ser livre.

A liberdade é um estado mental; não é estar livre de alguma coisa, porém um estado de liberdade — liberdade para duvidar e questionar todas as coisas e, portanto, uma liberdade tão intensa, ativa e vigorosa, que expulsa toda espécie de dependência, de escravidão, de ajustamento e aceitação. Essa liberdade implica o estar completamente só. Mas, pode a mente que foi criada numa dada cultura e que tanto depende do ambiente e das próprias tendências descobrir aquela liberdade que é solidão total e na qual não há líderes, nem tradição, e nenhuma autoridade?

A solidão é um estado mental interno, independente de qualquer estímulo ou conhecimento, e não o resultado de alguma experiência ou conclusão. A maioria de nós nunca está só, interiormente. Há diferença entre o isolar-se, o segregar-se, e o estar só, a solidão. Todos sabemos o que significa estar isolado — o levantar uma barreira ao redor de nós para que nunca sejamos molestados, nunca sejamos vulneráveis; ou o cultivar o desapego, que é uma outra espécie de agonia; ou o viver na fantástica torre de marfim de uma ideologia. A solidão é completamente diferente disso.

Nunca estais só porque estais cheio de todas as memórias, todas as murmurações de ontem; vossa mente nunca está livre desses trastes imprestáveis que acumulou. Para ficardes só, tendes de morrer para o passado. Quando estais só, totalmente só, sem pertencer a qualquer família, a nenhuma nação, a qualquer continente em particular, tendes a sensação de ser um estranho. O homem que, dessa maneira, está completamente só, é inocente, e essa inocência é que liberta a mente do sofrimento.

Levamos conosco a carga de tudo o que disseram milhares de pessoas, e das lembranças de todos os nossos infortúnios. Abandonar tudo isso, totalmente, é estar só, e a mente que está só não apenas é inocente, mas também jovem — não no tempo ou na idade, porém juvenil, purificada, viva, qualquer que seja a idade; só essa mente pode ver o que é a verdade, e aquilo que as palavras não podem medir."

Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

O que é o Zen?

Mensagem  Renato em Qui Jan 27, 2011 8:38 pm

O que é o Zen

O que é o Zen?



O Zen não é decididamente um sistema fundado na lógica e na análise. É algo antípoda da lógica e do modo dualístico de pensar. Pode haver um elemento intelectual no Zen, pois ele é a mente total onde encontramos muitas grandes coisas. Mas a mente não é um composto, que deva ser dividido em tantas faculdades, nada deixando após a dissecação. O Zen nada tem a ensinar, no que diz respeito à análise intelectual, nem impõe qualquer conjunto de doutrinas aos seus seguidores. A esse respeito, o Zen é caótico, se assim o quiserem chamar. Seus adeptos podem formular conjuntos de doutrinas, formulando-os, porém, por sua conta e para benefício próprio, e não do Zen. Portanto, não há, no Zen, livros sagrados ou assertivas dogmáticas, nem qualquer fórmula simbólica através da qual se obtenha um acesso à sua significação. Se me perguntassem o que ensina o Zen, responderia que ele nada ensina. Qualquer ensinamento que exista no Zen vem mediante nossa própria mente. Ensinamo-nos a nós mesmos Shocked . O Zen meramente aponta o caminho. A menos que consideremos este apontar como um ensinamento, nada há no Zen propositadamente estabelecido como doutrinas cardeais ou filosofia fundamental.

O Zen sustenta ser budista, mas todos os ensinamentos budistas, do modo por que são propostos nos sutras e sastras, são tratados pelo Zen como mero papel, cuja utilidade consiste em limpar o lixo do intelecto, e nada mais. O Zen, entretanto, não é niilista. Todo niilismo é autodestrutivo, não termina em lugar nenhum. O negativismo é puro como um método, mas a verdade mais alta é uma afirmação. Quando se diz que o Zen não tem filosofia, que nega toda autoridade doutrinária, que põe de lado toda a literatura sagrada como inútil, não se pode esquecer que o Zen está sustentando, com essa negativa, algo completamente positivo e eternamente afirmativo. Isto se tornará claro à medida que prosseguirmos.
D.T.Suzuki

**************************

Com esse texto espero contribuir no nosso estudo.

Até mais,


Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Krishnamurti - o que é meditação?

Mensagem  Renato em Qui Jan 27, 2011 9:56 pm

Olá!!

Vai aí um trecho do Krishnamurti sobre o que é meditação

"A investigação completa dessa questão é meditação. Esta palavra tem sido empregada, tanto no Oriente como no Ocidente, de uma maneira muito lamentável. Há diferentes escolas de meditação, diferentes métodos e sistemas. Certos sistemas ensinam: "Observa os movimentos do dedo grande de teu pé, observa-o, observa-o, observa-o"; outros advogam o ficar sentado numa certa postura, respirando regularmente ou praticando o percebimento. Tudo isso é completamente mecânico. Outro método dá-vos uma certa palavra, e vos diz que, se ficardes repetindo essa palavra, ela vos proporcionará uma certa experiência fundamental, extraordinária. Isso é puro absurdo. É uma forma de auto-hipnose. Se ficardes repetindo indefinidamente Amém ou Hun ou Coca-Cola, é óbvio que tereis uma certa experiência, porque, pela repetição, a mente se aquieta. Esse é um fenômeno bem conhecido, praticado há milhares de anos na Índia; chama-se Mantra Ioga. Pela repetição pode-se induzir a mente a tornar-se branda e macia, entretanto ela continua pequenina, vulgar, mesquinha. O mesmo efeito se obteria com apanhar no jardim um pedaço de pau, colocá-lo sobre a lareira, e oferecer-lhe todos os dias uma flor. Daí a um mês o estaríeis adorando, e se deixásseis de depositar uma flor diante dele, isso seria um pecado.

Meditação não é seguir um sistema; não é repetição e imitação constantes. Meditação não é concentração. Um dos truques de certos instrutores de meditação é insistirem em que os seus discípulos aprendam a concentração, ou seja, fixar a mente num pensamento e expulsar todos os outros pensamentos. Essa é uma das coisas mais estúpidas e mais maléficas, e qualquer colegial é capaz de fazê-la, se obrigado a tal. Significa que ficais empenhado numa contínua batalha entre a obrigação de vos concentrardes, a um lado, e a vossa mente, a outro lado, que se põe a fugir para outras e variadas coisas — quando, ao contrário, devemos estar atentos a cada movimento da mente, aonde quer que ela vá. Quando vossa mente foge, isso significa que estais interessado em alguma outra coisa.

A meditação exige uma mente sobremodo vigilante; a meditação é a compreensão da totalidade da vida, na qual não existe mais nenhuma espécie de fragmentação. Meditação não é controle do pensamento, porque, quando o pensamento é controlado, gera conflito na mente; mas, quando se compreende a estrutura e origem do pensamento, assunto que já examinamos, o pensamento então não mais interfere. Essa compreensão da estrutura do pensar é sua própria disciplina, que é meditação.

Meditação é estar cônscio de cada pensamento e de cada sentimento, nunca dizer que ele é certo ou errado, porém simplesmente observar e acompanhar seu movimento. Nessa vigilância, compreendeis o movimento total do pensamento e do sentimento. E dessa vigilância vem o silêncio. O silêncio criado pelo pensamento é estagnação, coisa morta, porém o silêncio que vem quando o pensamento compreendeu a sua própria origem, sua própria natureza, compreendeu que nenhum pensamento é livre, porém sempre velho — esse silêncio é meditação, na qual o meditador está de todo ausente, porque a mente se esvaziou do passado."

Até mais,


Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Lucas Benetti em Qui Jan 27, 2011 11:14 pm

"A meditação consiste apenas em observar os pensamentos sem se envolver emocionalmente com eles, isto é, sem criar julgamentos, sentimentos e sem conferir valores a eles."
Apenas fazendo essa observação, os pensamentos irão cessar, e você irá percebendo que cada vez mais o intervalo entre os pensamentos aumenta. Nesse intervalo, segundo essa lógica, é como se não estivessemos num estado de meditação, uma vez que existira o não-pensamento. Ainda assim podemos dizer que é meditação? 'Por que não?', uma vez que você está experenciando a observação interna?
Bom, agora no estágio da aquietação mental, embora temporária, nós permite refletir sobre diversos assuntos, sem que nos distraímos, e Utilizando uma capacidade além do normal nosso avaliação, uma vez que há a concentração, há a calma e há a investigação interior de modo Consciênte(entre muitas outras coisas).
Nessa linha de reflexão que usei : observação interna, cessação temporária dos pensamentos(uma vez que eles estão a serem observados), e posteriormente, análise de um tema qualquer, pode-se dizer que utilizei dois tipos de meditação. A primeira, chamada de "shamatha, , a permanência serena, que é uma meditação de ponto único de concentração." E a segunda, chamada "vipasyana, discernimento penetrante. Nessa prática, aplicamos o raciocínio."(literatura budista clássica)
O que é então a vipasyana continua na literatura budista clássica, se não uma meditação, também?

"Me permita discordar. Temos que nos livrar da PROTEÇÃO, mesmo porque ela não protege ninguém, e se protege, cobra algo em troca que é a negação da liberdade."
Por que cobraria a negação da liberdade? Será que ninguém transcedeu/superou esse nivel de troca de interreses?

ps: bom trecho do Krishnamurti, concerteza esclarecedor!Smile
[]`s,
L.

Lucas Benetti
Participante
Participante

Mensagens : 41
Data de inscrição : 28/06/2009

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Sex Jan 28, 2011 2:56 am

Olá amigo Lucas!!

Vejo que tenho muito a aprender contigo sobre meditação! Wink

Todavia, acredito que "cessar os pensamentos", não é propriamente o objetivo da meditação. E usar o raciocínio também não.

Meditar não é nada fácil porque os pensamentos surgem às mancheias e o tempo todo na mente.

Mas continuemos...

Sempre suspeitei que havia uns espiritualistas por aqui neste fórum Wink.

Até mais,


Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Liberdade é livrar-se de toda a autoridade

Mensagem  Renato em Sex Jan 28, 2011 3:30 am

Amigo Lucas,

Lembro-me que você queria centrar esse debate em torno da questão da PROTEÇÃO.

Encontrei um trecho do Krishnamurti sobre essa questão.

Liberdade é não se submeter à nenhuma autoridade...

"O homem que diz: "Desejo mudar, dizei-me como consegui-lo" — parece muito atento, muito sério, mas não o é. Deseja uma autoridade que ele espera estabelecerá a ordem nele próprio Shocked . Mas, pode algum dia a autoridade promover a ordem interior? Rolling Eyes A ordem imposta de fora gera sempre, necessariamente, a desordem affraid . Podeis perceber essa verdade intelectualmente, mas sereis capaz de aplicá-la de maneira que vossa mente não mais projete qualquer autoridade — a autoridade de um livro, de um instrutor, da esposa ou do marido, dos pais, de um amigo, ou da sociedade? Como sempre funcionamos segundo o padrão de uma fórmula, essa fórmula torna-se ideologia e autoridade; mas, assim que perceberdes realmente que a pergunta "como mudar?" cria uma nova autoridade, tereis acabado com a autoridade para sempre.

Repitamo-lo claramente: Vejo que tenho de mudar completamente, desde as raízes de meu ser; não posso mais depender de nenhuma tradição, porque foi a tradição que criou essa colossal indolência, aceitação e obediência; não posso contar com outrem para me ajudar a mudar, com nenhum instrutor, nenhum deus, nenhuma crença, nenhum sistema, nenhuma pressão ou influência externa. Que sucede então?

Em primeiro lugar, podeis rejeitar toda autoridade? Se podeis, isso significa que já não tendes medo. E então que acontece? Quando rejeitais algo falso que trazeis convosco há gerações, quando largais uma carga de qualquer espécie, que acontece? Aumentais vossa energia, não? Ficais com mais capacidade, mais ímpeto, maior intensidade e vitalidade. Se não sentis isso, nesse caso não largastes a carga, não vos livrastes do peso morto da autoridade.

Mas, uma vez vos tenhais livrado dessa carga e tenhais aquela energia em que não há medo de espécie alguma — medo de errar, de agir incorretamente — essa própria energia não é então mutação? Necessitamos de grande abundância de energia, e a dissipamos com o medo; mas, quando existe a energia que vem depois de nos livrarmos de todas as formas do medo, essa própria energia produz a revolução interior, radical. Nada tendes que fazer nesse sentido.

Ficais então a sós com vós mesmo, e esse é o estado real que convém ao homem que considera a sério estas coisas. E como já não contais com a ajuda de nenhuma pessoa ou coisa, estais livre para fazer descobertas. Quando há liberdade, há energia; quando há liberdade, ela não pode fazer nada errado. A liberdade difere inteiramente da revolta. Não há agir correta ou incorretamente, quando há liberdade. Sois livre e, desse centro, agis. Por conseguinte, não há medo, e a mente sem medo é capaz de infinito amor. E o amor pode fazer o que quer.

O que agora vamos fazer, por conseguinte, é aprender a conhecer-nos, não de acordo comigo ou de acordo com um certo analista ou filósofo; porque, se o fazemos de acordo com outras pessoas, aprendemos a conhecer essas pessoas e não a nós mesmos. Vamos aprender o que somos realmente.

Tendo percebido que não podemos depender de nenhuma autoridade exterior para promover a revolução total na estrutura de nossa própria psique, apresenta-se a dificuldade infinitamente maior de rejeitarmos nossa própria autoridade interior, a autoridade de nossas próprias e insignificantes experiências e opiniões acumuladas, conhecimentos, idéias e ideais. Digamos que tivestes ontem uma experiência que vos ensinou algo, e isso que ela ensinou se torna uma nova autoridade, e vossa autoridade de ontem é tão destrutiva quanto a autoridade de um milhar de anos. A compreensão de nós mesmos não requer nenhuma autoridade, nem a do dia anterior nem a de há mil anos, porque somos entidades vivas, sempre em movimento, sempre a fluir e jamais se detendo. Se olhamos a nós mesmos com a autoridade morta de ontem, nunca compreenderemos o movimento vivo e a beleza e natureza desse movimento.

Livrar-se de toda autoridade, seja própria, seja de outrem, é morrer para todas as coisas de ontem — para que a mente seja sempre fresca, sempre juvenil, inocente, cheia de vigor e de paixão. Só nesse estado é que se aprende e observa. Para tanto, requer-se grande capacidade de percebimento, de real percebimento do que se está passando no interior de vós mesmo, sem corrigirdes o que vedes, nem dizerdes o que deveria ou não deveria ser. Porque, tão logo corrigis, estais estabelecendo outra autoridade, um censor.

Vamos, pois, investigar juntos a nós mesmos; ninguém ficará explicando enquanto ides lendo, concordando ou discordando do explicador ao mesmo tempo que ides seguindo as palavras do texto, porém vamos fazer juntos uma viagem, uma viagem de exploração dos mais secretos recessos de nossa mente. Para empreender essa viagem, precisamos estar livres; não podemos transportar uma carga de opiniões, preconceitos e conclusões — todos os trastes imprestáveis que juntamos no decurso dos últimos dois mil anos ou mais. Esquecei-vos de tudo o que sabeis a respeito de vós mesmo. Esquecei-vos de tudo o que pensastes a vosso respeito; vamos iniciar a marcha como se nada soubéssemos.

A noite passada choveu torrencialmente e agora o céu está começando a limpar-se; é um dia novo, fresco. Encontremo-nos com este dia novo como se fosse nosso único dia. Iniciemos juntos a jornada, deixando para trás todas as lembranças de ontem, e comecemos a compreender-nos pela primeira vez."

Até mais,


Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Lucas Benetti em Sex Jan 28, 2011 7:15 am

"Para empreender essa viagem, precisamos estar livres; não podemos transportar uma carga de opiniões, preconceitos e conclusões — todos os trastes imprestáveis que juntamos no decurso dos últimos dois mil anos ou mais. Esquecei-vos de tudo o que sabeis a respeito de vós mesmo. Esquecei-vos de tudo o que pensastes a vosso respeito; vamos iniciar a marcha como se nada soubéssemos."
Esta marcha eu já iniciei, e por existir em mim um ceticismo, acabei fazendo certas práticas a fim de ver a realidade além. Pois bem, vi muito, experenciei muito, mas contirbações, pertubações foram sentidas. Acredito provavelmente que poderia enrolouquecer devido a estas práticas.
O enlouquecimento provavelmente provinha de contirbações que estão além do meu controle, ou assim aparentou para mim. A proteção então, ela se centra mais num sentido daquela analogia da antena da qual falei, do que uma crença religiosa de que ali estava protegido.
Estava falar de uma proteção de energias além da minha compreenção. É difícil explicar este tema, pois se você experenciasse isto, você captaria minha mensagem muito rápido, acredito. Mas acredito, também, ser importante tentar explicar, vamos la:
Tentei fazer uma passagem só, numa terra desconhecida, e portanto vulnerável, uma vez que a ignorância em mim existia. Por estar vulnerável, qualquer ser mal intencionado, que conhecesse essa terra desconhecida, saberia usar o campo a seu favor. E a minha vulnerabilidade estava não só no caminho da ignorância, e também por estar indo sozinho. Então, quando digo proteção, não seria a gaiola, mas sim alguém referente a um amigo. E se este amigo já conhece essa terra, saberá os caminhos que levam a algo errado, e os que levam aos lugares certos. Não que o caminho seja errado por ser errado, mas sim pela minha crença de que a bondade, a compaixão, e outras qualidades sejam certas. Então, este meu amigo, para indicar o caminho certo, tem que se alinhar com a minha crença do que é certo. Neste sentido vejo esta proteção como benéfica, e que embora possa ser comparado com a gaiola, uma vez que eu não iria ver outras coisas além dessas, estou completamente livre a querer outras coisas, entretanto é uma escolha fazer algo que possa trazer melefícios, e hoje eu sei que faz.
Será este um pensamento alinhado? Será que estou equivocado em alguma das afirmações que fiz?
Será que neste caso, e nessa experiência, a proteção ser algo a ser negado? Se sim, a fim de que? Analisando os prós e os contras, será que a proteção neste caso não é a escolha mais correta?
Abraços,
Lucas

Lucas Benetti
Participante
Participante

Mensagens : 41
Data de inscrição : 28/06/2009

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Sex Jan 28, 2011 6:10 pm

Olá!!

Alberto Caeiro - Fernando Pessoa

"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."




Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Renato em Dom Jan 30, 2011 4:15 am

Olá!

Conto Zen:

O discípulo perguntou ao mestre: "como faço para sair do samsara (roda das reencarnações)? "Quem te colocou lá?", respondeu o mestre. Shocked

Até mais,


Renato
Participante Dedicado
Participante Dedicado

Mensagens : 175
Data de inscrição : 27/06/2009
Idade : 46
Localização : Brasil

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O que é a liberdade?

Mensagem  Conteúdo patrocinado Hoje à(s) 11:28 am


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum